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Estratégia e Performance

Estratégia de preços nas licitações: como equilibrar custo, risco e capacidade antes do lance

Saiba como definir preços competitivos e sustentáveis nas licitações: conheça seus custos, pesquise contratações anteriores, avalie o edital e o Sistema de Registro de Preços, calcule seu preço mínimo e evite propostas inexequíveis segundo a Lei 14.133/2021.

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Atualizado em 26 de out 202612 min de leitura

Uma boa estratégia de preços nas licitações equilibra três pontos: o custo real de entregar o produto ou serviço, o risco de cada contratação e a capacidade da empresa de cumprir o contrato. Na prática, isso significa conhecer todos os custos, pesquisar quanto o governo já pagou, cotar com fornecedores, ler o edital com atenção e definir um preço mínimo antes do lance, para não vencer com um valor que dá prejuízo.

Para conquistar espaço nas contratações públicas, não basta acompanhar editais e participar das disputas. A precificação é um dos pontos mais estratégicos do processo e, muitas vezes, é o critério que define qual empresa será contratada.

A licitação existe para selecionar a proposta mais vantajosa para o governo, e isso exige que o fornecedor apresente um preço competitivo, sustentável e alinhado ao mercado. Portanto, a sua competitividade depende de uma estratégia de preços bem planejada.

Neste artigo, você vai conhecer os elementos essenciais para definir valores com precisão, fortalecer sua posição nas disputas e ampliar suas oportunidades de crescer com sustentabilidade no mercado público:

  • Por que a estratégia é tão importante nas licitações;

  • O que é precificação e como o preço pesa no julgamento das propostas;

  • O passo a passo para construir uma estratégia de preços eficiente;

  • Como calcular o seu preço mínimo, com um exemplo prático;

  • Como a tecnologia ajuda a colocar a estratégia em prática.

Boa leitura!

Por que a estratégia é tão importante nas licitações?

A estratégia é o que guia uma empresa a usar seus recursos com inteligência e concentrar esforços onde há maior impacto. Nas licitações, essa lógica se intensifica. Acompanhar editais, identificar as oportunidades adequadas, definir preços com precisão e cumprir os contratos são práticas que consolidam a sua competitividade.

Quando falamos de precificação, a estratégia ganha ainda mais peso. Não basta atribuir valores: é preciso entender o mercado, analisar concorrentes e encontrar um equilíbrio inteligente entre lucratividade e atratividade.

Um preço alto demais tira a empresa da disputa. Um preço baixo demais pode até garantir a vitória, mas transforma o contrato em prejuízo e ainda expõe a empresa a riscos, como a desclassificação por inexequibilidade ou penalidades por não conseguir cumprir o que prometeu.

A grande questão é: como criar uma estratégia sólida e precificar com precisão para conquistar mais espaço nas contratações públicas? É o que você verá a seguir.

O que é precificação nas licitações?

A precificação é o processo de definir valores de forma inteligente e sustentável, considerando custos, margem de lucro e competitividade. Nas licitações, isso ganha ainda mais peso, já que o preço costuma ser decisivo na escolha da proposta mais vantajosa.

Definir o preço certo é uma das etapas mais estratégicas para quem quer conquistar espaço nas contratações públicas. Afinal, toda negociação com o governo passa por uma pergunta essencial: quanto a sua empresa quer, e pode, ganhar com isso?

Como lembra a especialista Christianne Stroppa:

"Não há como atuar em contratações públicas sem entender a questão econômica."

Ou seja, o preço é o fio condutor da licitação, e uma boa estratégia pode definir o rumo da contratação.

Como o preço pesa no julgamento das propostas?

A Lei 14.133/2021 prevê seis critérios de julgamento (art. 33). Na maioria deles, o preço é o fator principal ou tem peso relevante:

Critério de julgamentoPapel do preçoOnde é mais comum
Menor preçoDecisivo: vence o menor valor que atende ao editalCompras de bens e serviços comuns, como no pregão
Maior descontoDecisivo: vence o maior percentual de desconto sobre uma tabela ou valor de referênciaContratos com tabela de preços, como passagens e peças
Técnica e preçoCombinado com a nota técnicaServiços de natureza intelectual e tecnologia
Melhor técnica ou conteúdo artísticoPreço fixado no edital; vence a melhor proposta técnicaProjetos, concursos e serviços técnicos especializados
Maior retorno econômicoAvaliado pela economia gerada para a AdministraçãoContratos de eficiência
Maior lanceVence o maior valor oferecidoLeilões de bens públicos

Como o pregão, que usa menor preço ou maior desconto, é a modalidade mais usada para bens e serviços comuns, dominar a precificação é indispensável para quem quer vender para o governo.

Como construir uma estratégia de preços eficiente?

Uma estratégia de preços eficiente segue um caminho: conhecer os custos, entender o mercado, ler o edital e só então definir quanto ofertar. Veja cada passo.

Conheça seus custos

O primeiro passo é entender todos os gastos envolvidos: aquisição, impostos, frete e margem de lucro. Só assim você garante um preço competitivo sem comprometer sua rentabilidade.

ComponenteO que considerar
Custo de aquisição ou produçãoPreço pago ao fornecedor ou custo de fabricação, incluindo insumos e mão de obra
ImpostosTributos que incidem sobre a venda, conforme o regime tributário da empresa e o estado de destino
Frete e logísticaTransporte até o local de entrega definido no edital, armazenagem e embalagem
Despesas operacionaisCustos administrativos, certidões, garantias contratuais, seguros e taxas de plataformas
Custo financeiroPrazo entre a entrega e o pagamento pelo órgão público, que pode exigir capital de giro
Margem de lucroO retorno mínimo que justifica participar da licitação

Atenção especial ao custo financeiro: o pagamento pelo governo acontece depois da entrega e do atesto. Quanto maior esse prazo, maior o capital de giro necessário para manter a operação.

Pesquise licitações anteriores

Use os dados a seu favor. Consulte editais e atas de contratações passadas para entender quanto os órgãos públicos pagaram por produtos semelhantes. Essas informações ajudam a definir preços com base na realidade do mercado.

Boas fontes para essa pesquisa são:

  • Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP): reúne editais, atas e contratos de todos os entes da federação;

  • Painel de Preços do governo federal: mostra preços praticados em compras públicas anteriores;

  • Atas de registro de preços vigentes: indicam valores já aceitos pela Administração;

  • Resultados de pregões no Compras.gov.br e em outros portais: mostram lances vencedores e concorrentes.

Vale lembrar que a própria Administração usa essas fontes para calcular o valor estimado da contratação (Lei 14.133/2021, art. 23). Ou seja, ao pesquisar os mesmos dados, você entende a referência que o órgão vai usar para julgar se o seu preço é aceitável.

Faça cotações com fornecedores

Compare valores com outros fornecedores e parceiros. Essa pesquisa traz mais clareza sobre o cenário competitivo e evita que você pratique preços fora da realidade.

Cotações atualizadas também protegem a empresa contra variações de custo entre a proposta e a entrega. Sempre que possível, negocie com os fornecedores a validade das cotações pelo mesmo prazo de validade da sua proposta.

Analise seu mix de produtos

Nem sempre o menor preço é o fator decisivo. Entenda quais marcas, especificações e produtos têm maior aceitação nos órgãos públicos e ajuste o seu portfólio conforme a demanda.

Um produto mais barato que não atende à especificação do edital será recusado. Por outro lado, oferecer marcas já aprovadas em contratações anteriores reduz o risco de desclassificação na análise da proposta.

Avalie o edital com atenção

Os detalhes do edital definem a estratégia. Confira o critério de julgamento (por item, por lote ou global) e adeque sua precificação ao formato da disputa.

FormatoComo funcionaImpacto na precificação
Por itemCada item é disputado separadamentePermite precificar e disputar só os itens mais vantajosos para a empresa
Por lote (grupo)Vários itens são disputados em conjuntoÉ preciso cotar todos os itens do lote; itens com margem maior podem compensar os de margem menor
GlobalTodo o objeto é disputado em um único preçoExige capacidade de fornecer tudo e um cálculo cuidadoso do custo total

Além do formato, confira no edital: prazo e local de entrega, forma e prazo de pagamento, exigência de garantia, amostras, quantidades estimadas e o índice de reajuste. Pela Lei 14.133/2021, o edital deve prever o índice de reajuste de preço, com data-base vinculada à data do orçamento estimado (art. 25, § 7º).

Atenção ao Sistema de Registro de Preços (SRP)

O SRP permite contratações futuras, com entregas parceladas e múltiplos órgãos participantes. Isso pode impactar seus custos logísticos e de operação, então leve isso em consideração antes de definir seus valores.

No registro de preços, a empresa não vende tudo de uma vez: ela se compromete a fornecer, pelo preço registrado, as quantidades que os órgãos pedirem durante a validade da ata. Alguns pontos merecem atenção:

  • Validade da ata: é de 1 ano, prorrogável por igual período se o preço continuar vantajoso (Lei 14.133/2021, art. 84). O seu preço precisa se sustentar por todo esse tempo.

  • Quantidades incertas: os órgãos não são obrigados a comprar toda a quantidade registrada. Não conte com o volume máximo para diluir custos fixos.

  • Entregas parceladas e em vários locais: cada pedido pode ter frete próprio, para endereços diferentes.

  • Adesões de outros órgãos ("carona"): órgãos que não participaram da licitação podem aderir à ata, em até 50% dos quantitativos por órgão e até o dobro do total registrado (art. 86, §§ 4º e 5º). Isso pode aumentar a demanda e exigir capacidade de entrega.

Respeite seus limites

Evite reduzir demais o preço somente para conquistar o contrato. Defina um limite mínimo e mantenha a sustentabilidade financeira do negócio. Participar de forma responsável é o que garante longevidade nas licitações.

Além do prejuízo, um preço baixo demais traz riscos legais:

  • Desclassificação por inexequibilidade: a Lei 14.133/2021 manda desclassificar propostas com preços inexequíveis (art. 59, III). Em obras e serviços de engenharia, propostas abaixo de 75% do valor orçado pela Administração são consideradas inexequíveis (art. 59, § 4º), e o TCU entende que a empresa deve ter a chance de comprovar que consegue executar pelo preço ofertado. Para bens e serviços em geral, o TCU considera que valores abaixo de 50% do orçado são indício de inexequibilidade, que deve ser verificado em diligência.

  • Penalidades: se a empresa vence e depois não consegue manter a proposta ou executar o contrato, pode sofrer multa e impedimento de licitar e contratar (arts. 155 e 156).

Definir o preço mínimo antes da disputa é a melhor proteção contra esses riscos.

Use a tecnologia a seu favor

Com a Effecti, sua estratégia se torna mais ágil e segura. O robô de lances atua por você, enviando lances com inteligência e agilidade, conforme os parâmetros que você define, incluindo o preço mínimo. Assim, sua empresa disputa múltiplos pregões ao mesmo tempo, com controle e segurança, sem nunca ultrapassar o limite que a equipe financeira estabeleceu.

Como calcular o preço mínimo do lance?

O preço mínimo é o menor valor que a empresa aceita ofertar sem ter prejuízo. Ele é calculado a partir do custo direto, somando os percentuais que incidem sobre o preço de venda, como impostos, despesas e lucro. Uma forma prática de chegar a ele é usar o chamado markup divisor:

Preço de venda = custo direto ÷ (1 − soma dos percentuais sobre a venda)

Veja um exemplo hipotético de um item com custo de aquisição de R$ 80,00 e frete de R$ 5,00 por unidade:

ComponenteValor
Custo de aquisiçãoR$ 80,00
Frete por unidadeR$ 5,00
Custo diretoR$ 85,00
Impostos sobre a venda10%
Despesas operacionais e financeiras5%
Margem de lucro desejada10%

Com esses números, a empresa consegue definir três referências:

ReferênciaCálculoResultado
Preço-alvo (com lucro de 10%)R$ 85,00 ÷ (1 − 0,25)R$ 113,33
Preço mínimo (lucro zero, cobre todos os custos)R$ 85,00 ÷ (1 − 0,15)R$ 100,00
Faixa de negociaçãoEntre o preço-alvo e o preço mínimoR$ 113,33 a R$ 100,00

Na prática, a empresa pode começar a disputa perto do preço-alvo e configurar o robô de lances para nunca descer abaixo de R$ 100,00. Abaixo desse valor, cada unidade vendida gera prejuízo.

Os percentuais do exemplo são apenas ilustrativos. A carga tributária varia conforme o regime da empresa (Simples Nacional, lucro presumido ou lucro real), o tipo de produto e o estado de destino. Por isso, valide os percentuais com a sua contabilidade antes de usá-los nas disputas.

Como a Effecti ajuda na estratégia de preços?

Com a Effecti, a sua estratégia se torna mais ágil e segura. O robô de lances atua por você, enviando lances com inteligência e agilidade, conforme os parâmetros que você define. Assim, a sua empresa disputa múltiplos pregões ao mesmo tempo, com controle e segurança.

E, para quem quer ir além da operação, a plataforma oferece recursos que fortalecem a estratégia:

  • Aimê, a inteligência artificial da Effecti: lê os editais, identifica pontos críticos e apoia a análise das exigências, como critério de julgamento, prazos de entrega e condições de pagamento, que influenciam diretamente o preço.

  • Analisar: funcionalidade que mostra o desempenho da empresa e indica como ajustar a estratégia com base em dados confiáveis, como preços praticados e concorrentes mais frequentes.

A plataforma da Effecti otimiza a rotina de licitantes de todo o Brasil e pode ser sua parceira também. Com ela, você pode:

  • Automatizar tarefas repetitivas;

  • Encontrar os editais certos com mais precisão;

  • Disputar licitações simultâneas com o robô de lances;

  • Monitorar o chat dos pregões em tempo real;

  • Contar com a inteligência artificial para leitura e análise dos editais;

  • Analisar o mercado com base em dados fundamentados.

Etapa da estratégia de preçosRecurso da Effecti
Pesquisar licitações anteriores e concorrentesAnalisar
Avaliar o editalAimê
Respeitar o preço mínimo na disputaRobô de lances
Acompanhar negociações de preço com o pregoeiroMonitoramento de chat

Conclusão

Precificar bem é o que separa a empresa que vence e lucra da empresa que vence e se arrepende. Uma estratégia de preços eficiente começa muito antes do lance: no conhecimento dos custos, na pesquisa de contratações anteriores, nas cotações com fornecedores, na análise do mix de produtos e na leitura atenta do edital.

Com esses dados em mãos, a empresa define um preço-alvo e um preço mínimo, considera os efeitos do Sistema de Registro de Preços e respeita os próprios limites. O resultado é uma participação mais competitiva, sustentável e segura no mercado público.

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Perguntas frequentes sobre estratégia de preços nas licitações

Como saber quanto o governo costuma pagar por um produto?

Consulte editais, atas e resultados de contratações anteriores no PNCP, no Painel de Preços do governo federal e nos portais de compras. Esses dados mostram valores já aceitos pela Administração para produtos semelhantes.

Posso ofertar um preço abaixo do meu custo para ganhar a licitação?

Não é recomendável. Além do prejuízo, preços muito baixos podem levar à desclassificação por inexequibilidade e, se a empresa não conseguir cumprir o contrato, a penalidades como multa e impedimento de licitar.

O que é proposta inexequível?

É uma proposta com preço tão baixo que não permite cumprir o contrato. Em obras e serviços de engenharia, a Lei 14.133/2021 considera inexequíveis valores abaixo de 75% do orçado pela Administração. Para bens e serviços em geral, valores abaixo de 50% do orçado são indício que deve ser verificado. Em ambos os casos, a empresa pode ter a oportunidade de comprovar que consegue executar.

Como o Sistema de Registro de Preços afeta o meu preço?

No SRP, o preço registrado vale por até 1 ano, prorrogável por igual período, e as entregas são parceladas e podem ir para vários órgãos. É preciso considerar fretes múltiplos, variação de custos e a incerteza sobre as quantidades que serão de fato compradas.

É melhor disputar por item ou por lote?

Depende do edital, que define o formato. Na disputa por item, você escolhe os itens mais vantajosos. Na disputa por lote, precisa cotar todos os itens do grupo e equilibrar margens entre eles.

O preço do contrato pode ser reajustado?

Sim. A Lei 14.133/2021 obriga o edital a prever um índice de reajuste, com data-base vinculada ao orçamento estimado. Em situações extraordinárias que desequilibrem o contrato, também é possível pedir o reequilíbrio econômico-financeiro.

Resumo do artigo

  • A precificação é um dos pontos mais estratégicos da licitação e, muitas vezes, define qual empresa será contratada.

  • Uma boa estratégia equilibra lucratividade e atratividade, considerando custos, mercado e concorrência.

  • O primeiro passo é conhecer todos os custos: aquisição, impostos, frete, despesas, custo financeiro e margem.

  • Pesquise licitações anteriores no PNCP e no Painel de Preços e faça cotações com fornecedores.

  • Analise seu mix de produtos e avalie o edital, incluindo o formato da disputa (item, lote ou global).

  • No Sistema de Registro de Preços, considere a validade da ata, as entregas parceladas e as adesões de outros órgãos.

  • Defina um preço mínimo e respeite seus limites para evitar prejuízo, inexequibilidade e penalidades.

  • O markup divisor ajuda a calcular o preço-alvo e o preço mínimo a partir do custo direto.

  • A Effecti apoia a estratégia com o robô de lances, a Aimê, o Analisar e o monitoramento de chat.


Fontes consultadas (para referência da equipe; avaliar se entram no post)

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