Reajuste e Repactuação de Preços

Reajuste e Repactuação de Preços

 

Você sabia que o governo movimenta bilhões de reais por ano? São milhões de contratos por dia. Logo vemos que é um mercado muito vantajoso, mas muitos empreendedores ficam com medo de entrar no mercado de governo por desconhecer as regras do jogo.

Por isso, escrevemos este artigo para tirar todas as suas dúvidas, nele tratamos sobre: como se define o preço, em quais hipóteses esse preço pode ser reajustado, o que é reajuste e repactuação de preços e muito mais… Então sem mais delongas, vamos ao que interessa!


Reajuste

 

Quando você contrata com a administração pública, você está interessado em receber a quantia referente ao seu produto ou serviço, certo? Você está vendendo e obviamente quer receber por essa venda, esse valor é também conhecido como remuneração. A administração vai remunerar o contratado quase sempre em dinheiro.

Existe basicamente uma relação equilibrada entre o contratado e o contratante em que é estabelecido um preço pelo serviço, produto ou obra. Para facilitar o entendimento vamos pensar numa balança com dois pratos, conforme imagem 1 abaixo. Em um dos pratos temos a remuneração do produto ou serviço que estamos fornecendo e no outro prato temos os encargos (tudo aquilo que você entrega para a administração pública), ou seja, suas obrigações. Quando se estabelece o preço, existe um equilíbrio perfeito entre os dois pratos da balança, ou seja, o preço é justo para as duas partes (contratante e contratado).

Reajuste e Repactuação de Preços

Se a gente estiver diante de um contrato que é executado imediatamente, ou com um prazo curto para a entrega ou execução, dificilmente vai dar algum problema. Mas quando estamos diante de um contrato cuja vigência é longa, ou seja, contrato onde o momento entre o acordo de preço e o pagamento dessa quantia é muito distante, é provável que esse preço seja corroído pelo fenômeno da inflação. Então no momento em que você vai receber essa remuneração ela já não corresponde mais aos seus encargos e nesse momento a nossa balança já não tem mais um equilíbrio como no começo, conforme imagem 2.

Reajuste e Repactuação de Preços

O mercado exige que de tempos em tempos aplique-se um reajuste para reestabelecer um equilíbrio econômico financeiro entre as partes, então nesse caso teríamos a necessidade de mexer no contrato para reestabelecer o equilíbrio da nossa balança, a não ser que as partes estabeleçam no próprio contrato uma clausula prevendo o reajuste.

A administração pública está sempre vinculada ao que está escrito em lei, e a principal lei que trata sobre contratos de licitação é a lei 8666/93 que estabelece que todo e qualquer contrato feito com a administração pública tem que ter algumas cláusulas obrigatórias, dentre elas, o preço e o reajuste.


Um pouco de história

 

Na década de 90 o Brasil vivia um momento de hiperinflação onde a inflação variava muitas vezes até dois dígitos em apenas um mês e os preços ficavam rapidamente defasados, então nessa época os contratos previam reajustes mensais e em alguns casos até semanais. A administração pública até então seguia as regras e tendências do mercado e quando veio o plano real, foi estabelecido que este reajuste mensal estimulava a inflação. Com base nisso foi criada uma lei que é válida até hoje, estabelecendo que dali pra frente nenhum contrato poderia ter cláusulas de reajuste com espaço de tempo inferior a um ano, então só poderia reajustar o contato um ano após a data de início.

Voltando para os tempos atuais, os contratos só podem ser feitos com a cláusula que prevê o reajuste, isso é obrigatório e esse reajuste não pode ser feito antes de completar um ano. A não ser que seja celebrado um contrato com a administração pública menor que um ano, neste caso não precisa ter clausula de reajuste.


Indicie do cálculo do reajuste

 

Como é a administração pública que elabora a minuta do futuro edital, é ela mesmo quem escolhe quais serão os índices. Normalmente são escolhidos os índices gerais, como IPCA ou INPC dependendo da natureza do contrato, se for obras será o índice setorial ligado a construção civil e assim por diante. O índice escolhido é previsto no próprio contrato e varia de contrato para contrato, então fique ligado no edital e lembre-se de ler o edital completo para evitar surpresas futuras.


Apostilamento

 

Quando vence o prazo de um ano do contrato, as partes não necessitam alterar o contrato ou fazer um termo aditivo ao contrato, por que já tem uma cláusula obrigatória indicando qual é o índice do reajuste, bastando aplicar o reajuste no contrato. Para aplicar o índice de reajuste, é necessário que o servidor público tenha acesso ao índice, por exemplo IPCA, para fazer a atualização do preço através de um ato chamado de apostilamento.

Apostilamento então é um despacho que o servidor público faz no processo considerando que no contrato assinado em tal data foi estabelecido o preço de, por exemplo, 100 reais, considerando que o contrato já completou um ano e considerando que o índice nesse caso IPCA foi de 10%. Então o preço a partir dessa data passa a ser de R$ 110,00.

Atenção! Nos contratos com a administração pública, não é a data da assinatura do contrato que é definida como data inicial do contrato e sim a data limite para a apresentação da proposta, essa data é estabelecida no edital da licitação e é a partir dela que inicia a contagem dos 12 meses para efetuar o reajuste do preço.

encontrar editais de licitações


Repactuação de Preços

 

Quando estamos diante de uma contratação de serviço continuado com DEMO (dedicação exclusiva de mão de obra), por exemplo, contrato de mão de obra para serviço de recepcionista para um órgão público, é feito um contrato com a empresa de terceirização de mão-de-obra e não com a recepcionista, essa vai receber a remuneração da administração pública e vai pagar a recepcionista.

Quando a administração pública faz uma licitação de prestação de serviço terceirizado com DEMO, a remuneração não é um preço fechado, o preço é baseado em uma planilha contendo informações oriundas daquela contratação, por exemplo, o valor da remuneração é de R$ 10.000,00, na planilha deve constar que R$ 3.000,00 é para o pagamento do salário da recepcionista, R$ 300,00 é do 13º salário, R$ 120,00 de uniforme e assim por diante até chegar no preço final que no nosso exemplo é R$ 10.000,00.

A administração pública inventou uma nova maneira de reajustar esse tipo de contrato através da repactuação que é exclusivo para “Contrato de serviço contínuo com dedicação exclusiva de mão de obra”. Nestes casos, a administração permite que o contratado apresente na licitação um preço estabelecido pelo acordo coletivo desta categoria assinado em uma determinada data, se poucos meses depois houver um aumento no piso da categoria, o contratado pode pedir uma repactuação de preços alegando que o piso da categoria sofreu um aumento refletindo no preço do serviço prestado em tantos por cento.

O que é repactuação então? Repactuação é uma espécie de reajuste, mas é um reajuste especial e com base em planilhas, onde um servidor público vai fazer uma checagem da planilha antiga com a planilha nova verificando em quais linhas ouve um aumento para então somar a diferença e realizar a repactuação de preços.

Ficou alguma dúvida? Assista o vídeo abaixo onde o professor de licitação e advogado da União Rodrigo Paiva dá uma aula completa sobre o assunto.

No mais, te desejamos sucesso e bons negócios!

Fonte: Rodrigo Paiva – Curso viver de licitação

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